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Hinos de Lutero

Um belo hino dos mártires de Cristo, queimados em Bruxelas pelos sofistas de Lovaina - Martinho Lutero

A 1º de julho de 1523, dois monges agostinianos, Heinrich Voes e Johann von Eschen, do convento de Antuérpia, foram queimados em fogueira na praça do mercado de Bruxelas por haverem professado ensinamentos de Lutero. Pouco após o acontecido, Lutero redigiu “Carta aos Cristãos nos Países Baixos”, na qual comenta o fato. No mesmo período, provavelmente nos primeiros dias de agosto de 1523, deve ter surgido o presente hino. Pouco depois seria impresso e acrescido de melodia feita pelo próprio Lutero. As duas últimas estrofes foram compostas mais tarde. De modo algum deveriam ser intercaladas entre a 8ª e a 9ª estrofes, pois provocariam quebra de sentido.

1 – Um canto novo vou entoar,
que Deus nos dê sua graça;
Dos feitos dele vou cantar,
que em sua glória o faça!
Bruxelas foi que o presenciou:
por meio de dois moços.
O seu poder ali mostrou,
que com seus dons divinos
dotou tão ricamente.

2 – Um deles se chamava João,
de dons divinos rico.
O outro, Henrique, seu irmão,
de espírito o mais puro.
Partiram deste mundo, e já
o prêmio conquistaram
Que aos filhos prometido está.
Por sua fé morreram.
Seus mártires são feitos.

3 – O diabo os dois mandou prender,
tentando, sob ameaça
E com astúcia, os convencer
a renegar a graça.
Depois mandou chamar então
doutores de Lovaina.
Para esta grande encenação,
com sua sábia faina.
Não conseguiram nada.

4 – Em tom suave, ameaçador
tentaram mil astúcias.
Os jovens, sem nenhum temor,
desprezam os sofistas.
O diabo então se aborreceu
por ter sido vencido
Por esses jovens! Deus do céu!
de fúria foi tomado
E decidiu queimá-los.

5 – Dos hábitos como também
das ordens os privaram.
Alegres e dizendo amém
os jovens o aceitaram
A Deus seu Pai deram louvor
por vir já libertá-los.
Do ardil do diabo e seu furor,
que com os seus ludíbrios
Vem enganando o mundo.

6 – Em sua graça o eterno Deus
quis que sacrificassem
Ali os próprios corpos seus
e em ordem santa andassem:
Para este mundo morto estar
deixar a hipocrisia.
No céu bem limpo e livre entrar,
despir a monjaria
E todas as vaidades.

7 – Um documento se lhes dá
co’a ordem de ser lido,
pois nele registrado está
o crime cometido:
Supremo erro é no Senhor
e Deus confiar somente,
no ser humano enganador
jamais, pois sempre mente.
Merecem a fogueira.

8 – Fazer fogueiras! e p’ra já!
os jovens logo chegam.
Pasmado o povo lá está,
pois toda a dor desprezam.
Entregam-se nas mãos de Deus,
cantando-lhe louvores.
Mas os sofistas com os seus
se encheram de temores
com essa novidade.

9 – E agora querem disfarçar
a horrenda e vil matança.
Mentiras ei-los a espalhar
p’ra alívio da consciência.
Os santos caluniando estão
mesmo depois da morte,
Dizendo: “Tudo foi em vão,
pois lá, na dor mais forte,
os jovens renegaram”.

10 – Que continuem a mentir,
não têm disso proveito!
A Deus devemos gratos ser –
voltou seu Evangelho!
Pois vem chegando já o verão,
passou o frio inverno.
As flores eis em brotação!
O que fez o começo
também há de acabá-lo.

11 – Cruel remorso sobrevém,
tortura as consciências.
Na mente um só intento têm:
salvar as aparências!
Co’astúcia querem abafar
o crime cometido.
Porém, não podem silenciar
o sangue aqui vertido.
Ele há de denunciá-los.

12 – A cinza está a se espalhar
por toda a terra e gente.
Nem rio nem cova a faz parar,
ao inimigo vence.
Aos que obrigou na vida cá
a silenciar na morte.
Agora condenado está
a ouvir em toda parte
o seu alegre canto.



 
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