09 de novembro de 2017

O consolo da presença de Deus

Salmo 30

Tu, Senhor, por teu favor fizeste permanecer forte a minha montanha; apenas voltaste o rosto, fiquei logo conturbado. Por ti, Senhor, clamei, ao Senhor implorei. (v. 7-8)

 

A força e o consolo de Deus não são dados a ninguém a não ser que ele o peça do fundo do coração. Mas ninguém que ainda não esteja profundamente assustado e abandonado, pede de forma profunda, pois ainda não sabe o que o deixa alquebrado. E, enquanto isso, permanece seguro em outra força e consolo, seus próprios ou das criaturas. Por essa razão, para que Deus possa conceder sua força e seu consolo e reparti-los conosco, ele adia todo outro consolo e torna a alma profundamente aflita, de modo que ela passe a clamar e a ansiar pelo seu consolo. E assim, todos os castigos de Deus são ordenados amavelmente para uma venturosa consolação. Para as pessoas que sofrem, o tempo é longo, enquanto que para as felizes, ele é breve. Mas especial e imensamente longo é ele para as que padecem desta dor interior da alma, em que se sentem abandonadas e rejeitadas por Deus. Como bem se diz que uma hora do purgatório é mais amarga do que mil anos de dor temporal e física. Assim, não há sofrimento maior do que aquele que se sente na consciência, que ocorre quando Deus se afasta, e ficamos privados da verdade, da justiça, da sabedoria, nada restando senão pecado, trevas, ah, e ai. Constitui isso um gole ou aperitivo da dor infernal e da condenação eterna. Avassala, por isso, os ossos, a força, o sumo, o tutano e tudo o mais que houver na pessoa. Deus afastar-se significa rejeição e abandono interior. A partir daí se experimenta um pavor horroroso e, em consequência, uma perdição progressiva, como se lê no Salmo 30.7: “Quando ocultaste teu rosto, eu me assustei”. Mas o retorno de Deus traz consolo interior e gera uma esperança feliz. M. Lutero