16 de novembro de 2017

A natureza humana

Salmo 37.1-5

Não te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniquidade. (v. 1)

 

Também os seres humanos fazem o bem, mas não há benefício que dure para sempre. Pois a natureza humana não suporta a ingratidão. No entanto, ninguém faz o bem por amor de Deus ou por amor da virtude, mas tão somente por amor de si próprio. Isso o podes verificar muito bem se ficares observando alguém que faz o bem a determinadas pessoas. Se depois elas se mostram ingratas ou dizem e fazem algo que lhe desagrada, verás como se esquenta, ralha, condena, acusa, dizendo: “Pois bem. Eu fiz isso e aquilo por ele. Que se dane! Que não me apareça mais!”. E assim que surgir a oportunidade de vingar-se, ou quando percebe que se precisa dele, fica aí que nem um toco ou um cavalo emperrado. Se não consegue outra coisa, põe entraves onde pode e deixa de fazer o bem que lhe poderia fazer. Não obstante se considera piedoso que procede corretamente e não tem escrúpulos. É incapaz de um pensamento elevado que chegasse a dizer: “Bem, não fiz o bem por causa de sua maldade; por isso também não deixarei de fazê-lo por causa dela. Deus me faz o bem diariamente, embora, em toda a minha vida, não tivesse feito outra coisa do que aborrecê-lo”. No fundo uma boa ação humana é um malefício triplo, porque, por meio dela, buscam agradecimento, honra e inclusive domínio sobre aqueles aos quais fazem o bem. Este é um benefício arrogante, presunçoso, vingativo e egoísta, por causa do qual depois se enfurece. Sua boa ação é breve e temporária e a fazem somente a quem os adora e festeja. Não querem desperdiçar nenhum benefício nem aplicá-lo sem retorno. Deus, porém, e seus filhos fazem o bem de graça, e não se importam quando desperdiçam seu benefício com os ingratos. Por isso não desiste por causa da maldade das pessoas. Disso fala todo o Salmo 37. M. Lutero