O hino foi publicado em 1524 em Wittenberg e em Erfurt e deve ter surgido em data próxima à Semana Santa deste mesmo ano. No Domingo de Ramos daquele ano, Lutero pregou a respeito de Confissão e Santa Ceia, reproduzindo alguns pensamentos do hino em prosa. Na Quinta-feira Santa falou do fruto da Santa Ceia que aparece na prática do amor ao próximo, em palavras muito próximas da última estrofe do hino.
O hino encontra-se em Hinário Luterano, nº 258.
1 Ó Jesus, que nos salvaste,
de toda ira nos livraste
que por tua morte e dor
resgataste do inferno o horror.
2 Para que não o esqueçamos
quer que o corpo seu comamos
que no pão ele escondeu,
e no vinho seu sangue nos deu.
3 Quando vens a sua mesa,
atenção! pois com certeza
quem indigno aqui chegar
não a vida morte há de achar.
4 Louva ao Pai que te sustenta
e tão farto te alimenta,
que por teu grande pecar
veio o Filho sacrificar.
5 Não duvides, vai confiando!
Deus ao fraco dá sustento
que sentir no coração
do pecado toda a aflição.
6 Por bondade e grande graça
muito um coração anseia.
Estás bem? Então te abstém!
Do contrário, castigo vem.
7 Ele diz: Ó pobres, vinde!
Quero já comiserar-me.
Não precisa de doutor
quem não sente doença e dor.
8 Se salvar-se alguém podia,
meu morrer que valeria?
Esta mesa é sem valor
se és tu mesmo teu redentor.
9 Se de coração tu creres
e coa boca o confessares,
digno para Deus serás,
pão celeste tu comerás.
10 Frutos venham sem demora:
amarás o irmão já agora.
Que lhe dês o mesmo amor
que te teve teu Deus, Senhor. |